Consideração sobre a "dignidade infinita" no ser humano - Gabriel de Vitto

Fonte aqui.

Olha, nem é necessário recorrer à doutrina da participação – ainda que a explicação última de todas as realidades criadas redunde nela. Na verdade, a ideia de uma dignidade ontológica e inalienável, derivada da constituição espiritual da alma humana, já está presente de modo explícito ao menos desde Aristóteles, segundo o qual "anima est quodammodo omnia", isto é, virtualmente infinita. Por sinal, a metafísica cristã do homem desenvolve esse princípio defendendo que "a pessoa é o ser mais perfeito de toda a natureza" (S. Th. I, q. 29, a. 3) e o sentido de todo o universo material (SCG III, c. 112) – mesmo Deus, em sua providência, as toma por fins em si mesmas. No fundo, a confusão entre dignidade ontológica e dignidade moral é a mesma que fazem os pelagianos entre "bonum secundum quid" (bem ontológico do homem) e "bonum simpliciter" (bem moral do homem); o último pode ser perdido, mas jamais o primeiro. Seria, sim, uma heresia e um atentado contra a razão se Roma viesse a defender que a dignidade humana é *atualmente* infinita, mas em momento algum essa ideia é sugerida. Aliás, essa ideia também foi defendida em termos muito parecidos com o aqueles que aparecem no documento por Dietrich von Hildebrand – autor que é tudo menos "modernista" e "pós-conciliar".

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