A Igreja reconhece a validade das ordens luteranas e anglicanas sem admitir?

Recentemente vi um post de um rapaz implicando que há uma contradição 'não admitida' pela Igreja de que ela reconheceria a validade das ordens na comunhão luterana (e penso incluir a Anglicana) ao encontrar com líderes dessas comunidades, não os tratando como meros leigos.

Não penso que isso se siga. O diálogo oficial entre católicos e anglicanos teve início em1966, a sequência do encontro histórico entre o Papa Paulo VI e o Arcebispo da Cantuária, Michael Ramsey, onde foi criada a Comissão Internacional Anglicana-Católica Romana (ARCIC) em 1967 (ou 1970, dependendo da data formal de criação da comissão), com a missão de promover a unidade.

Mas mesmo posteriormente a Congregação para a Doutrina da fé em 1998 qualifica o ensino de Leão XIII sobre as ordenações anglicanas como infalível. Eis a citação:

"No que se refere às verdades em conexão com a revelação por necessidade histórica, e que devem admitir-se de modo definitivo sem contudo poderem ser declaradas como divinamente reveladas, podem servir de exemplo a legitimidade da eleição do Sumo Pontífice ou da celebração de um Concílio ecuménico, as canonizações dos santos (factos dogmáticos); a declaração de Leão XIII na Carta Apostólica Apostolicae Curae sobre a invalidade das ordenações anglicanas...(47)"

A declaração é a seguinte:

"Portanto, concordando em todos os aspectos com todos os decretos de nossos predecessores nesta mesma causa, e confirmando-os plenamente e, por assim dizer, renovando-os por Nossa autoridade, com pleno conhecimento de causa, pronunciamos e declaramos por Nossa própria iniciativa que as ordenações feitas no rito anglicano eram e são completamente nulas e sem efeito, e são absolutamente nulas."

Observação: a própria Unitatis Redintegratio afirma a ausência do sacramento da ordem nas comunidades eclesiais ocidentais (ergo, luteranismo e anglicanismo):

"Embora falte às Comunidades eclesiais de nós separadas a unidade plena connosco proveniente do Baptismo, e embora creiamos que elas não tenham conservado a genuína e íntegra substancia do mistério eucarístico, sobretudo por causa da falta do sacramento da Ordem..."

É o mesmo documento que se abriu ao diálogo com os mesmos protestantes, o que inclui obviamente seus líderes.

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