São Paulo VI sobre o Vaticano II e ações anti-cristãs feitas em nome do concílio
CONSISTÓRIO SECRETO DO SANTO PADRE PAULO VI
PARA A NOMEAÇÃO DE VINTE CARDEAIS
Segunda-feira, 24 de maio de 1976
Veneráveis Irmãos Nossos,
Desde o dia em que, já há três anos, Nós completamos os lugares vagos de Vosso Sagrado Colégio segundo o número estabelecido de Cardeais Eleitores, este Colégio com grande dor perdeu outros Nossos Irmãos, dos quais todos lembramos com piedoso afeto de luto; por outro lado, alguns membros desse mesmo Sagrado Colégio já, entretanto, atingiram a idade máxima permitida por lei, por causa da qual a eles não é mais lícito eleger o Romano Pontífice. Por isso, hoje vos convocamos, para que novos Cardeais sejam criados; e ao mesmo tempo, quer para pedirmos vossa última opinião sobre as causas de canonização de três Bem-aventurados Célticos, quer enfim para recebermos os pedidos de pálios.
Estas são, sem dúvida, as partes habituais e conhecidas de todos os Consistórios; todavia, não por isso têm menos peso, no que diz respeito ao seu significado eclesial, e às suas memórias históricas, que evocam; de tal modo que, todas as vezes que se celebra tal Consistório, muitíssimas pessoas contemplam e acompanham este acontecimento da Igreja Romana com o mais alto empenho e com espírito atentíssimo. Assim, com efeito, é: o Consistório é compreendido como tempo sumamente grave e solene. Ora, desta gravidade vos vemos claramente cônscios, vós que aqui estais presentes e nelas participais; por causa disso, primeiramente vos damos graças.
I. Mas desejamos demorar-nos mais longamente naquela ocasião mesma, para a qual hoje especialmente se volta a atenção da comunidade dos católicos, e na verdade para a qual se dirige toda a opinião pública: esta é a criação dos novos Cardeais. Queremos, antes de tudo, afirmar que tomamos esta decisão para que não se esperasse por mais tempo até que se suprissem as necessidades do Sagrado Colégio, especialmente após a recente promulgação da Constituição Apostólica que começa com as palavras Romano Pontifici eligendo. Nessa mesma Constituição descrevemos os ofícios peculiares e máximos dos membros do Sagrado Colégio, como daqueles cuja tarefa é eleger o Sumo Pontífice.
Ora, tendo — como dissemos — resolvido preencher aquelas vagas, seguimos razões e normas que Nos são de máxima atenção e cuidado, a saber: que o Sagrado Colégio, quanto possível, abranja membros de todas as nações e manifeste um caráter internacional. Com efeito, esse Colégio se empenha e deve mostrar ao mundo inteiro uma imagem semelhante da santa Igreja Católica, congregada de todas as partes da terra em um só rebanho de Cristo (Jo. 10, 16), e aberta a todos os povos e formas da cultura humana, para acolher em si os verdadeiros bens dos homens e transmiti-los, por sua vez, para o proveito da causa suprema do Evangelho, que é a glória de Deus e o progresso dos homens.
Assim, aprouve-Nos não apenas reconhecer devidamente os méritos de fidelíssimos ministros da Sé Apostólica nas Legações Pontifícias e na própria Cúria Romana, mas sobretudo e em primeiro lugar voltamos o pensamento às Sedes Residenciais, dirigindo de modo especial a mente às jovens comunidades de católicos — que estão prestes a entrar numa idade luminosa e plenamente frutífera de esperança — bem como com igual reverência às Sedes cuja história antiga é ilustre e longuíssima, e abunda em testemunhos de santidade e obras de apostolado.
Nossa visão, portanto, abrange como que com um só e vastíssimo olhar todo o orbe da terra, onde a Igreja vive, ama, espera, sofre, combate: das principais regiões do mundo, mesmo das mais remotas, ninguém realmente está ausente. E se hoje parecem ser menos numerosos no Sagrado Colégio aqueles que representam as Igrejas Orientais, de modo algum se deve considerar menor a Nossa caridade, reverência e benevolência para com aquelas regiões que foram o berço da Igreja, que ainda hoje com cuidadosa solicitude guardam os preciosíssimos tesouros da piedade, da liturgia e da doutrina, e que enfim encontram em seus Pastores, Patriarcas diletíssimos a Nós — juntamente com seus colaboradores nos respectivos Sínodos Patriarcais Sagrados — luz, incentivo e força de comunhão.
Por isso, agrada-Nos aproveitar esta oportunidade oferecida para testemunhar a maior benevolência possível para com eles, tornando-os cientes de Nossa lembrança, de Nossa reverência e de Nossas orações.
II. Assim como já notamos, o Consistório significa um tempo sumamente solene e grave para a vida da Igreja, a qual se conduz entre as circunstâncias terrenas. Esta, portanto, ocasião — na qual estamos diante de vós e convosco — de modo algum podemos deixar passar, sem que tratemos algumas questões e causas da Igreja, que Nos trazem solicitude e que julgamos ser de grande importância, assim como também partilhemos convosco Nossos sentimentos mais íntimos. Os quais sentimentos são de gratidão e alegria por uma parte, mas por outra também de angústia e dor.
1) O primeiro sentimento surge daquele nativo “otimismo” — fundado nas certíssimas promessas de Cristo (cf. Mt 28, 20; Jo 16, 33) e nos sempre novos e cheios de consolo acontecimentos da Igreja — que Nós costumamos alimentar no coração: é a própria vitalidade e juventude da Igreja, da qual estão presentes tantos testemunhos e documentos. Isto vimos e tocamos durante todo o Ano Santo há pouco encerrado, o qual ainda agora salutarmente ilumina Nosso ânimo. Com efeito, a essência da vida cristã está posta na vida espiritual, isto é, naquela vida sobrenatural que é dom de Deus: por isso Nos é concedido excelente consolo, pois sentimos essa mesma vida crescer e vigorar em tantas Nações e povos, por meio do testemunho da fé, por meio da Liturgia, pelo renovado e saboreado empenho na oração, pela alegria que brota da clara visão espiritual e da pureza do coração.
Vemos, além disso, crescer cada vez mais o amor entre os irmãos, o qual não pode separar-se do amor de Deus, e que inflama o ardor do zelo de tantos de Nossos filhos, bem como sua misericordiosa dedicação para com os pobres, para com os rejeitados, para com os homens desarmados.
Nós compreendemos que as normas diretivas propostas pelo último Concílio eficazmente dirigem e sustentam o contínuo esforço de conformar-se ao Evangelho de Cristo, por meio do cultivo de uma vida verdadeiramente cristã e da prática das virtudes teologais.
Com veemente admiração contemplamos os florescentes empreendimentos missionários, e principalmente observamos, entre sinais certíssimos, progresso também no assunto de máxima importância, ou seja, no campo das vocações sacerdotais e religiosas, as quais, sem dúvida, em diversas nações, após certo intervalo de languidez, revivem.
Vemos, em todos os continentes, os jovens obedecerem com grande ânimo e ação concreta aos preceitos do Evangelho e demonstrarem em si a vontade de manter a necessária união entre o modelo ótimo da vida cristã e o dever de realizá-lo na prática.
Assim de fato, Veneráveis Nossos Irmãos, o Espírito verdadeiramente opera em todos os campos da Igreja, mesmo naqueles que às vezes pareciam os mais áridos!
2) No entanto, subsistem causas de amargura e tristeza, que não queremos nem ocultar nem atenuar. Estas procedem, em sua maior parte, de um certo extremismo comprovado, por vezes incurável quanto a alguns de seus excessos, o qual, em facções opostas, denota uma imatura leviandade de ânimo ou uma obstinação contumaz; e que, de fato, geram uma triste surdez a todas as exortações e advertências à sã moderação — conciliadora dos ânimos exacerbados — que foram transmitidas por meio do eminente magistério do Concílio, já há mais de dez anos.
a) Com efeito, de um lado estão aqueles que — dizendo professar a máxima fidelidade para com a Igreja e o Magistério — deliberadamente recusam e rejeitam os próprios princípios do Concílio, e a consequente aplicação e reforma deles, bem como sua lenta execução pela ação da Sé Apostólica e das Conferências Episcopais sob Nossa autoridade, a qual tem origem em Cristo. Subtrai-se autoridade à Igreja sob o pretexto da Tradição, à qual, no entanto, só se presta obediência em palavras e exteriormente. Os fiéis são afastados dos vínculos de obediência para com a Sé de Pedro, assim como também de seus legítimos bispos; rejeita-se a autoridade presente em favor daquela que houve em outro tempo. E isto é tanto mais grave e pior quanto essa resistência, de que falamos, não só é defendida por alguns sacerdotes, mas é conduzida e dirigida por um bispo, isto é, Marcel Lefebvre, a quem, no entanto, Nós sempre acompanhamos com veneração.
Isto observamos com veemente dor de ânimo: no entanto, nesse modo de agir — quaisquer que sejam os fins a que essas pessoas se dirigem — quem não vê já o propósito presente de se colocarem fora da obediência e da comunhão com o Sucessor de Pedro e, portanto, com a própria Igreja?
Com efeito, isto, infelizmente, segue-se espontaneamente, quando se afirma, por exemplo, que mais se deve recusar a obediência do que obedecer, sob o pretexto de conservar íntegra a fé e de trabalhar à sua maneira pela tutela da Igreja católica, enquanto, ao contrário, a verdadeira obediência a esta é de fato negada. E isto se afirma abertamente! Com efeito, não hesitam em declarar que o Concílio Vaticano II carece de força obrigatória; que a fé católica se encontra em perigo até mesmo por causa das normas propostas após o Concílio; que não se deve obedecer, a fim de que certas tradições se conservem. Que tradições? A este grupo de pessoas — e não ao Romano Pontífice, não ao Colégio dos Bispos, não ao Concílio Ecumênico — pertenceria o direito de determinar quais, dentre as inumeráveis tradições, devem ser consideradas norma de fé! Como vedes, Veneráveis Nossos Irmãos, com esse modo de agir se põe em julgamento aquela vontade divina que constituiu Pedro e seus legítimos Sucessores Cabeça da Igreja, para confirmar os irmãos na fé e apascentar todo o rebanho (cf. Lc 22, 32; Jo 21, 15ss), e o constituiu guardião e custodiante do depósito da fé.
Todavia, de modo particular, isso deve ser considerado tanto mais grave quanto a divisão é introduzida ali onde o amor de Cristo nos congregou em um só corpo, isto é, na Liturgia e no Sacrifício Eucarístico, quando se nega obediência às normas estabelecidas sobre a matéria litúrgica. Na verdade, em nome da própria Tradição, Nós pedimos a todos os Nossos filhos e a todas as comunidades católicas, que os ritos da Liturgia renovada sejam celebrados com dignidade e fervor de piedade. O uso do novo Ordinário da Missa (Ordinis Missae) de modo algum é deixado ao arbítrio dos sacerdotes ou dos fiéis cristãos. Pela Instrução publicada no dia catorze do mês de junho do ano mil novecentos e setenta e um, foi previsto que a celebração da Missa segundo o rito antigo fosse permitida, com faculdade dada pelo Ordinário, somente aos sacerdotes de idade avançada ou enfermos, que oferecessem o Sacrifício Divino sem povo (sine populo). O novo Ordinário foi promulgado para substituir o antigo, após madura deliberação, e para pôr em execução as normas que foram transmitidas pelo Concílio Vaticano II. De modo não diferente, o Nosso Predecessor São Pio V, após o Concílio de Trento, ordenara que se utilizasse o Missal revisto por sua autoridade.
O mesmo pronto obediência, pela força da suprema autoridade que Nos foi concedida por Cristo Jesus, ordenamos para as demais novas leis referentes à liturgia, à disciplina e à ação pastoral, que foram promulgadas nos últimos dois anos, para que os decretos do Concílio fossem postos em execução.
Qualquer iniciativa que, contrariando esses decretos recentes, afirme obstaculizá-los, de modo algum pode ser considerada obra posta em benefício da Igreja, pois de fato lhe causa grave detrimento. Frequentemente, por Nós mesmos, por Nossos auxiliares e outros amigos, advertimos o Reverendíssimo Lefebvre sobre a gravidade desse modo de agir; sobre a ilegitimidade das principais iniciativas suas atualmente existentes; sobre a inutilidade e frequentemente sobre a falsidade dos princípios doutrinais com os quais ele procura sustentar tanto seu modo de agir quanto suas iniciativas; por fim, sobre os danos daí decorrentes para a Igreja universal.
Com veemente angústia, mas com paterna esperança, agora também voltamos nosso espírito para este Nosso Irmão no episcopado, para seus auxiliares e para todos aqueles que são levados a segui-los. Temos, de fato, a convicção de que muitos destes fiéis foram guiados de boa-fé, pelo menos em um primeiro momento. Compreendemos claramente também o afeto diligente do seu amor pelas formas habituais de culto ou disciplina, das quais costumavam por tanto tempo retirar vigor espiritual e alimento para suas almas. Contudo, confiamos que eles saibam meditar serenamente, não guiados por opiniões preconcebidas, e que queiram reconhecer que hoje podem encontrar o apoio buscado e o alimento nas formas renovadas da religião, que pareceu necessário introduzir por meio do Concílio Vaticano II e por Nós mesmos, para promover o bem da Igreja, seu progresso no mundo deste tempo e sua unidade.
Portanto, novamente exortamos estes Nossos irmãos e filhos, e suplicamos a eles que se tornem conscientes das graves feridas que, de outro modo, causariam à Igreja. Reiteramos a eles o convite para que ponderem atentamente os graves ensinamentos de Cristo sobre a unidade da Igreja (cf. Jo 17, 21ss.) e sobre a obediência ao legítimo Pastor, posto por Ele sobre todo o rebanho, sendo o sinal da obediência aquilo que é devido ao Pai e ao Filho (cf. Lc 10, 16). Nós os esperamos de coração aberto e braços abertos, prontos para abraçá-los: Oxalá, dando exemplo de humildade, possam novamente entrar no caminho da unidade e do amor, para a alegria do Povo de Deus!
b) Por outro lado, estão aqueles que — professando doutrinas completamente contrárias, mas igualmente nos causando veemente dor — falsamente pensam seguir um caminho aberto pelo Concílio; e assim, movidos por opiniões preconcebidas, às vezes sem qualquer esperança de correção, se comportam duramente no julgamento sobre a Igreja e suas instituições.
Por isso, com a mesma firmeza devemos declarar que, de modo algum, pode perder-se o modo de agir de todos eles:
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quantos quer que considerem ter permissão para criar sua própria liturgia, às vezes reduzindo o Sacrifício da Missa e os sacramentos à celebração de sua vida ou de sua luta, e até mesmo para significar sua própria fraternidade; ou, ao contrário, exercem a intercomunhão contra as leis;
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quantos quer que na catequese transmitida enfraqueçam a instituição da doutrina católica, acomodando-a às inquietações ou às exigências humanas, segundo opiniões que corrompem profundamente a mensagem cristã, como já declaramos na Exortação Apostólica, cujo índice há cinco anos foi publicado no dia 8 de dezembro do ano 1971, após cinco anos do término do Concílio (cf. AAS 63 (1971) 99);
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quantos quer que estejam tal que negligenciem claramente a viva Tradição da Igreja desde os Padres até a doutrina do Magistério; alguns interpretam a doutrina da Igreja, o próprio Evangelho, as coisas espirituais, a divindade de Cristo, sua ressurreição ou a Eucaristia, de modo que destruam realmente o significado genuíno dessas verdades, criando uma nova gnose deste modo e introduzindo de certa maneira um “livre exame” na Igreja; o que acontece tanto mais perigosamente, quanto se trata daqueles a quem foi confiado o ministério altíssimo e de suprema gravidade de ensinar a Sagrada Teologia;
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quantos quer que enfraqueçam o próprio ministério sacerdotal;
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quantos quer que, para lamentar, violam as leis da Igreja ou os preceitos da vida moral que por ela são inculcados;
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quantos enfim compreendem a vida teológica como se tratasse de ordenar uma sociedade terrestre; antes a reduzem à ação política, aplicando a esse fim o espírito, os caminhos, os modos de agir, que são contrários ao Evangelho; e procedem até o ponto de confundir, transcendendo a mensagem de Cristo, sua pregação do Reino de Deus e o preceito do amor para com os homens, fundado na inefável paternidade de Deus, com opiniões que essencialmente negam tal mensagem, substituindo-lhe uma doutrina completamente oposta, e defendendo uma certa mistura diversa entre duas razões da vida humana, que de modo algum podem ser reconciliadas, como reconhecem os próprios peritos dessa doutrina, que pertencem à outra facção.
Cristãos deste gênero não são, de fato, em número muitos, mas grandemente fazem alarido, quando temerariamente pensam interpretar as necessidades de todo o povo cristão ou o curso irrevogável da história. Fazendo isso, de modo algum podem apelar para a autoridade do Concílio Vaticano II, porque sua correta interpretação e aplicação não dão ocasião alguma à licença; nem podem provocar às necessidades do apostolado, para que possam alcançar aqueles que não praticam a religião ou carecem da fé cristã: pois o verdadeiro apóstolo é enviado pela Igreja, para dar testemunho da doutrina e da vida dessa mesma Igreja. O fermento deve permear toda a massa; contudo, deve permanecer evangélico; caso contrário, ele mesmo se corrompe juntamente com o mundo.
Veneráveis Irmãos Nossos! Desejamos recomendar a vós estas nossas íntimas cogitações, pois sabemos bem quais tempos aguardam a Igreja. Ela mesma é, foi e será sempre sinal e estandarte erguido entre os povos (Cf. Is. 5, 26; 11, 12), porque tem a missão de anunciar, e por vezes até com alguma provocação denunciar ao mundo que a contempla a verdade daquela fé, que ilumina o destino último dos homens, a esperança que só ela não decepciona (Cf. Rom. 5, 5), o amor que arranca o homem do excesso de amor próprio, que tenta invadi-lo e oprimir-lhe em variadas formas. Certamente este não é tempo de fuga, nem de deserção, nem de concessões; e muito menos tempo de temor. Os homens cristãos são simplesmente chamados agora, para que sejam cristãos de verdadeiro nome: e tais de fato o serão, na medida em que permanecerem fiéis à Igreja e ao Concílio.
Ninguém, como Nós opinamos, colocará em dúvida a soma das advertências e exortações que durante estes anos do Nosso Pontificado entregamos aos Pastores e ao Povo de Deus, e na verdade ao mundo inteiro. Somos gratos àqueles que das Nossas tantas exortações retiraram um modo de agir; pois tudo isto ensinamos apoiados numa viva esperança e movidos por um tranquilo otimismo, que contudo não excluiu a verdadeira avaliação das próprias coisas concretas. Se hoje demoramos mais em algumas razões menos apreciáveis, foi porque esta ocasião singular e a vossa benigna confiança Nos levaram a julgar isso oportuno. De fato, a essência do carisma profético, para o qual o Senhor Nos prometeu a ajuda presente do Seu Espírito, consiste em vigiar, em indicar os perigos, em investigar os sinais da aurora que desponta sob o escuro orbe da noite. Guardião, que dizeis da noite? Guardião, que dizeis da noite? Estas palavras o próprio profeta coloca em Nossa boca (Is. 21, 11). Portanto, até que a calma aurora retribua aos homens alegria e cor, queremos continuar a erguer a Nossa voz segundo aquele ofício que Nos foi confiado. Vós, porém, Amigos Nossos e próximos cooperadores, podeis antes de todos os demais e melhor do que todos os demais repetir e difundir a Nossa voz entre tantos Irmãos e Filhos Nossos. E enquanto já nos preparamos para celebrar o Senhor Jesus que com os sinais da paixão e da gloriosa ressurreição está para ascender à destra do Pai, devemos, olhando para os céus abertos (At. 7, 56), sempre perseverar cheios de esperança, alegria e fortaleza. Em Nome do Senhor! Em cujo Nome santificadamente a todos vós abençoamos.
Agora, porém, é agradável enumerar os mais ilustres Prelados, que por méritos de cada um, consideramos dignos para serem agregados ao Vosso amplíssimo Colégio neste Sagrado Consistório:
Octávio Antônio Beras Rojas, Arcebispo de Santo Domingo; Opílio Rossi, Arcebispo com o título de Ancira; José Maria Sensi, Arcebispo com o título de Sárdia; João Carlos Aramburu, Arcebispo de Buenos Aires; Conrado Bafile, Arcebispo com o título de Antioquia na Pisídia; Jacinto Thiandoum, Arcebispo de Dakar; Emmanuel Nsubuga, Arcebispo de Kampala; José Schroffer, Arcebispo com o título de Volturno; Lourenço Trevor Picachy, Arcebispo de Calcutá; Tiago L. Sin, Arcebispo de Manila; Guilherme Wakefield Baum, Arcebispo de Washington; Aloísio Lorscheider, Arcebispo de Fortaleza; Reginaldo João Delargey, Arcebispo de Wellington; Eduardo Pironio, Arcebispo com o título de Tírgias; Ladislau Lékai, Arcebispo de Esztergom; Basílio Hume, Arcebispo de Westminster; Vítor Razafimahatratra, Arcebispo de Tananarive; Boleslau Filipiak, Arcebispo com o título de Plessis; Domingos Ekandem, Bispo de Ikot Ekpene.
Além disso, de dois Cardeais, que reservamos em Nosso íntimo, um agora publicamente anunciamos, que é José Maria Trinhhu-Khue, Arcebispo de Hanói, que ontem chegou a Roma; o outro ainda reservamos em Nosso íntimo, ao qual, quando Nosso juízo assim determinar, anunciaremos.
Destes, pertencerão à ordem dos Diáconos: Opílio Rossi, José Maria Sensi, José Schroffer, Eduardo Pironio, Boleslau Filipiak.
Os demais, porém, queremos que pertençam à Ordem dos Presbíteros.
Com as dispensas, derrogações e cláusulas necessárias e oportunas. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
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